Iluminação da toalha molhada

18/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Estava pendurado no computador quando ela pediu que levasse a toalha molhada até o banheiro. Peguei o ser de pano e o pendurei no gancho, perto do chuveiro. 

A toalha ficou surpresa no ar.

Meu olhar se despendurou de mim e foi buscar um ponto fixo na parede, mas escorregou de marcha ré num nó em cadeia. 

A toalha estava pendurada no gancho, que estava pendurado na parede, que estava pendurada no banheiro, na casa, na rua, no bairro, na cidade, no estado, no país, no continente, no planeta, na galáxia… Ops! 

Apertando pontos alfabéticos do teclado, digitei pontualmente: “Se tudo o que vem a vista se pendura em algum ponto, onde está dependurado o ponto de vista?”

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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