Eu vou para Jacarepaguá

22/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Sou caipira pira pora. Só aos 15 anos de idade, quando meus pais me mudaram para São Paulo, descobri que existia elevador e guitarra. O rock mais pesado que tocava na minha vitrola era Estúpido Cupido. “Bbbbbbbbrrrrrrrrrrrrrr! Eu vou pra Jacarepaguá!”. Adorava essa frase! Meu lance com música já era mais com as palavras do que com as notas.

Me lembro da primeira vez que percebi isso. Foi durante um ensaio com uma das bandas que participava. Cantei um pedaço de uma das músicas da banda e o guitarrista me perguntou: “Que música é essa?”. Fiquei atônito! O cara já tinha tocado aquela música uma centena de vezes. Expliquei que era uma música da banda. Cantarolei novamente. Ele reconheceu a melodia e disse que nunca tinha prestado atenção na letra.

Abri a geladeira e uma luz se acendeu dentro de mim. Entendi que música é um refrigerante de consumo bipolar. Tem pessoas que ouvem palavras engarrafadas em notas e tem pessoas que ouvem notas engarrafadas em palavras.

Qual é o normal?

Bbbbbbbbrrrrrrrrrrrrrr! Eu vou pra Jacarepaguá!

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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