Estratégia para mudar o mundo

22/04/2003 by in category Crônicas tagged as , with 0 and 0

Minha primeira estratégia para mudar o mundo foi o humor. Eu carregava um papel encardido na carteira com dezenas de desfechos de piadas. Exorcistas usam enxofre para espantar demônios, eu usava piadas. Quinze minutos de risada e qualquer cemitério de elefantes virava pombal. Claro que haviam mamutes, dinossauros e até World Trade Centers que não caiam com minhas investidas. Mas como o humor é o avesso da tragédia, sempre era possível encontrar algo engraçado debaixo de seus próprios pés.

Experimentei também estratégias sérias, como justiça e politica. “Arroz, feijão, bife e macarrão!” Abandonei-as quando percebi que eram magoas jogando xadrez. Comecei a tocar violão. Mergulhei na estratégia artística. Baby, leia na minha camisa. Aprendi a compor canções. Tinha trinta aliados: sete notas e vinte e três letras. Quando percebi que as letras atingiam direto no alvo, pendurei as notas.

Contudo, fracassei em todas minhas estratégias. Era muita gente querendo mudar o mesmo mundo que eu. Muitos caciques. Aliás, só tinha caciques. Decepcionado e rendido, respirei fundo e desisti. Depois respirei de novo, de novo, de novo… Eureka! Para mudar o mundo eu não precisava querer, bastava existir. Mudar o mundo era inevitável. Não tinha opção “tô fora”. Ser mudado era igualmente inevitável. Entre mudar e ser mudado havia a opção peito aberto ou fechado. Escolhi peito aberto e nunca mais mudei de estratégia.

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