Estratégia para mudar o mundo

22/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Minha primeira estratégia para mudar o mundo foi rir do mundo. Eu carregava uma folha de caderno encardida na carteira com dezenas de desfechos de piadas escritas a caneta. Exorcistas usam enxofre para espantar demônios, eu usava piadas. Quinze minutos de risada e qualquer cemitério de elefantes virava pombal. 

Experimentei também estratégias sérias como justiça e politica. “Arroz, feijão, bife e macarrão!” Abandonei-as quando percebi que eram mágoas jogando xadrez.

Comecei a tocar violão. Mergulhei na estratégia artística. Baby, leia na minha camisa. Aprendi a compor canções. Tinha trinta aliados: sete notas e vinte e três letras. Quando percebi que minhas letras tocavam mais do que minhas notas, me concentrei nas letras.

Me empenhei com dedicação para mudar o mundo, mas fracassei em todas minhas estratégias. Era muita gente querendo mudar o mesmo mundo que eu. Muitos caciques. Aliás, só tinha caciques. Decepcionado e rendido, respirei fundo e desisti. Depois respirei de novo, de novo, de novo… Eureka!

Para mudar o mundo bastava eu existir. Mudar o mundo era inevitável. Não tinha opção “tô fora”. Ser mudado era igualmente inevitável. Entre mudar e ser mudado havia a opção peito aberto ou fechado. Escolhi peito aberto e nunca mais mudei de estratégia.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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