Erre

22/04/2003 by in category Imperativos, Poemas, Vídeos tagged as , , , , , with 0 and 0

Erre!
Com dois erres.
Com todas as letras.
Mije fora do vaso.
Mire fora do alvo.
Ninguém nasce pecado original
para viver de fotocópia.
E dai que os cisnes são brancos?
E dai que o patinho é feio?
Pato, pateta, patético,
é ser morador do infinito
e nadar em fila indiana.

Erre-se!
É sua chance de acertar-se.
Professores podem lhe ensinar caminhos certos,
caminhos de sucesso,
bolo de caixinha.
Você pode percorrer caminhos certos,
caminhos de sucesso,
bolo de caixinha.
Mas o caminho que só você caminha,
segue-se de erro em erro.

Erre!
Errar não é errado.
Nem pecado.
Quem diz que é
está cheio de inveja na manga
e nenhuma vida no bolso.
Quem diz que é, diz não
quando quer diz sim.
Quem diz que é, diz sim
quando quer dizer não.
Quem diz que é tem o cu na mão.

Erre!
Saia do template!
Quem acerta só descobre o que já sabe.
Deixe o certo para os doutores,
para os PHDeuses,
para o papel carbono.
Pule a cerca!
Pule o certo!
Para que repetir
os mesmos erros do passado
com tantos erros novos por errar?
Se errássemos nossos erros,
novos erros,
o mundo seria ímpar.

Se o homem bomba errasse novos erros,
ao invés de repetir o erro
dos pais de seus pais,
não precisaria se explodir
para chegar até lá.
Até Alá.

Erre lúcido!
Erre lúdico!
Não defenda nenhum princípio
além do precipício.
Mesmo que lhe matem por isto.
Mesmo que lhe apedrejem por isto.
Mesmo que se arrependa.
Erre mesmo assim!
Nenhuma pedra dói mais do que travesseiro.
Nenhuma faca mata mais do que espelho.
Nenhum arrependimento é mais caro
do que pagar por uma escolha
que não foi escolhida.

Erre!
Sem medo de errar!
Cabeça erguida.
Olhos arregalados.
Coração na boca.
Permitindo que seu irmão erre também,
pois somos todos iguais
no direito de errar
diferente.

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Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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