Dança dos famosos

23/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Tem um pedaço da letra que diz: “Bob Marley… Peter Tosh”. Mas não adianta digitar esses dois nomes no Google. Eu já tentei. É igual digitar “chocolate” para procurar a música do Tim Maia. Aparece um monte de sites de chocolate e nada de música. O pior é que a melodia fica tocando na minha cabeça, nota por nota, só que o Google ainda não lê partitura. Se você sabe de que música estou falando, me envia o link, diz o nome do cantor, aceito qualquer dica. Mas independente disso, vou contar como foi o show dos dois.

Começou por volta de 19:30, no centro de uma cidade turística da Bahia. Os músicos montaram o palco no chão, ligaram os microfones, fizeram o tradicional “um, dois, três, som, testando” e começaram a tocar. Tocaram alguns sambas, forrós e então (A) música. Foi nesse momento que Bob Marley e Peter Tosh entraram no salão de dança que havia se formado ao redor da banda.

Bob Marley era muito negro, careca e tinha uma barriguinha de mulher grávida de três meses. Estava sem camisa, usando tênis e sunga vermelha por cima de uma bermuda térmica azul. Bob Marley era Macunaíma vestido de super homem. Peter Tosh parecia com Bob Marley, o original. Tinha corpo esbelto e longa cabeleira rastafári. Também estava usando tênis e sunga vermelha, mas sem bermuda térmica.

Os dois começaram a dançar (A) música com personalidade própria. E que personalidade! Bob Marley abria os braços imitando a estátua do cristo redentor e rodava em slow motion. Cada vez que completava 360 graus, colocava a mão na cintura e rebolava. Só com o pensamento. Por fora, o corpo dele ficava inerte com a mão na cintura. Mas dava para intuir que na sua imaginação Bob estava fazendo o quadradinho.

Peter Tosh, como se diz na internet, é um caso que precisa ser estudado pela Nasa. Seu pé deslizava macio, como se o chão estivesse untado com manteiga. Seu corpo se teletransportava de um ponto ao outro na velocidade do tamborim. A cabeleira balançava junto com os braços e seu rosto produzia emoticons de êxtase.

Peter Tosh e Bob Marley dançavam juntos e sozinhos. Um não percebia o outro. Aliás, eles não percebiam ninguém. Só percebiam a música. (A) música. A maldita da música. Absolutamente contagiante. Diria até que inesquecível. Pelo menos foi o que pensei na hora. Mas agora só lembro desse trecho: “Bob Marley… Peter Tosh”. E da dança. Também inesquecível.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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