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Corufa

24/04/2003 by in category Crônicas, Diálogos tagged as , , , with 0 and 0

Ela queria falar, mas tinha esquecido as palavras. Quanto mais tentava, mais sua língua desaparecia. Então, entre soluços, deixou escapar tudo de uma vez:

— Achoquestougrávida!
— O que?! — reagi assustado.
— Vamos fazer um teste? — ela disse.

Tirou uma embalagem de dentro da bolsa e me deu. Era um aparelho para teste de gravidez. Parecia uma caneta. Li as instruções. Bastava molhar a ponta da caneta na urina e depois juntá-la à tampa. Passados cinco minutos, se o mostrador estivesse vermelho, era gravidez, se estivesse branco, ufa!

— Só funciona com um dia de atraso — alertei.
— Era para ser hoje! — ela disse.
— Mas hoje ainda não acabou — argumentei.

Fomos dormir. Ela me cutucou na cama as cinco da manhã. Levantamos e fomos ao banheiro. Ela se sentou no vaso e molhou o bico do aparelho na urina. Juntei as partes e as coloquei sobre a pia.

— O que você acha do nome Maria? — ela perguntou, apontando para o mostrador vermelho.

Comecei a sentir as dores do parto. Daí, olhei no relógio e percebi que só haviam passado dois minutos e a bula havia enfatizado esperar cinco. Peguei o aparelho na mão para ver de perto e o vermelho do mostrador foi ficando cor de rosa, depois rosinha, depois bege, até chegar na cor… ufa!

Copo de requeijão
Criando corvos
© 2017 · Marcelo Ferrari