Compreenção com cedilha

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , , with 0 and 0

Socorro parou em frente a gôndola. Ficou namorando o fetiche de páscoa. Com aquele dinheiro dava para comprar 3 sacos de feijão. Chumbinho vivia cantando Bob Marley no bar dos sujismundos. Socorro disse que era para o neto. Ela sabia que estava mentindo. O que Socorro não sabia era ser pagã e brincar de boneca. Chumbinho não tinha onde existir. Quando o ovo de páscoa fez “bip”, Socorro se sentiu escolhendo Barrabás. Repetiu que era para o neto. Chumbinho fez a gororoba mais gostosa que já comi de uma panela de pressão. Socorro vestiu o avental vermelho que veio de brinde dentro do ovo. Foi lavar louça com ele. Não entendeu porque o avental não tinha aquelas tiras para amarrar na cintura, nem o triângulo azul com a letra “s” no meio. Seria “s” de compreenção? Não. O avental da Maria Madalena era a capa do super-homem. Chumbinho saiu voando da panela de pressão. Nunca mais o vi. Dizem que finalmente encontrou lugar para existir. Foi aquele chororô na vila rosenval. Adeus não, me diga até breve.

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