Compreenção com cedilha

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , , , with 0 and 0

Socorro parou em frente a gôndola. Encarou o fetiche de páscoa. Com aquele dinheiro dava para comprar três sacos de feijão. Chumbinho vivia cantando Bob Marley no bar dos sujismundos. Socorro disse que era para o neto. Mentiu. Socorro não sabia ser pagã, nem brincar de boneca. Chumbinho não tinha onde existir. Quando o ovo de páscoa fez “bip”, Socorro sentiu-se escolhendo Barrabás. Repetiu que era para o neto. Chumbinho fez uma gororoba deliciosa na panela de pressão. Socorro vestiu o avental vermelho que veio dentro do ovo de páscoa e foi lavar a louça. Ela não entendeu porque o avental não tinha tiras para amarrar na cintura. Também não entendeu o triângulo azul com a letra “s” no meio. Seria “s” de compreenção? Não. O avental de Socorro era a capa do super-homem. Chumbinho saiu voando da panela de pressão. Nunca mais o vi. Dizem que finalmente encontrou um lugar para existir. Foi aquele chororô na Vila Rosenval. Adeus não, me diga até breve.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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