Carnaval caipira

24/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , , , , with 0 and 0

Donana pega um balde de latão e sai pelo terreiro.

Enquanto caminha, vira o balde em posição de tambor e começa a batucar uma folia de reis.

As galinhas, hipnotizadas pelo samba caipira, vão surgindo das árvores, das cestas, das moitas e até de outras dimensões.

Donana enche o balde com grãos de milho e o tambor vira um chocalho.

As galinhas rodam ao redor de Donana feito mestre sala.

Por um instante, o milho, Donana, as galinhas e o terreiro se tornam indivisíveis.

Ela apanha um punhado de grãos e os arremessa ao ar feito confete. O terreiro fica salpicado de alaranjado.

É um alvoroço! Pierrôs e colombinas pulando e bicando o chão.

Segue-se um frevo intenso.

Só sobram cinzas.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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