Boacumba para transformar adulto em criança

25/04/2003 by in category Boacumba, Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Ingredientes:

Um galho de rotina,
duas colheres de hábitos bem secos,
meia dúzia de teias de aranha do sofá da sala,
um par de kichutes (ou similar),
uma toalha vermelha grande,
um cartão de ponto,
um pirulito (qualquer sabor),
uma galinha preta,
um tubo de espuma de barbear (spray),
um exemplar do jornal New York Times,
uma fitinha do Senhor do Bonfim
e 50 gramas de sebo animal.

Preparo: 

Quebre a rotina, triture os hábitos e misture-os com as teias de aranha do sofá, fazendo um pó. Embrulhe o pó no jornal New York Times e amarre com a fita do Senhor do Bonfim. Leve a galinha (viva) até a esquina da Ipiranga com a São João, na cidade de São Paulo. Passe sebo nas canelas e calce os kichutes (em você, não na galinha). Amarre um lado da toalha vermelha ao redor do pescoço, tipo super homem (ou mulher maravilha, você decide). Coloque a galinha preta no chão e dê um susto nela. Quando a galinha sair correndo pelo centro da cidade, saia correndo atrás, tentando acerta-la com um jato de espuma de barbear. Enquanto estiver correndo, de 10 em 10 minutos, dê uma lambida no pirulito. Quando a galinha passar pelo correio central e estiver saindo do vale do Anhangabaú, jogue o pó da rotina sobre seu corpo inteiro e tropece propositalmente no cartão de ponto, caindo esparramado no chão. Levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima do viaduto do chá. Você terá entre 5 e 12 anos de idade assim que avistar a galinha chegando no largo do São Bento.

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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