Boacumba para matar segunda feira

25/04/2003 by in category Boacumba, Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Ingredientes:

Amido de milho Mãe Zena,
pipoca,
tesoura,
um boneco voodoo do seu chefe,
um despertador quebrado,
sal,
chocolate do padre,
primeira e segunda temporada da sua série preferida de televisão
(lost, friends, os normais, etc),
batom vermelho,
uma folha de papel sulfite
e óleo de semente de girassol.

Preparo:

No domingo a noite, ao invés de assistir fantástico, assista a primeira temporada da sua série preferida de televisão. Antes de dormir, pegue a tesoura e corte o fio do telefone. Ajuste o despertador quebrado para hora de acordar. Na segunda feira, durma até o despertador tocar. Se o despertador não tocar, durma o tanto que quiser. Assim que acordar, pegue o amido de milho Mãe Zena, o chocolate do padre, e prepare um mingau. Com uma colher de sopa, despache vagarosamente o mingau goela adentro. Pegue o batom vermelho, a folha de papel sulfite e vá até o parque mais próximo de sua casa. Procure um lugar bem ensolarado, coloque a folha de papel sulfite no chão e desenhe a letra “A” na folha usando o batom. Terminado o desenho, incorpore o Dr Bezerra de Menezes (ou Dr Drauzio Varella). Se ajoelhe e bata três vezes com a testa na letra A. Almoce num restaurante no caminho de volta. Chegando em casa, tire um cochilo. Assim que acordar pegue o boneco voodoo do seu chefe, o óleo de semente de girassol e a pipoca. Jogue o óleo e a pipoca numa panela. Ligue o fogo. Quando o óleo estiver fervendo, pegue o boneco voodoo e convide-o para assistir a segunda temporada da sua série preferida de televisão. Mexa a cabeça do boneco para frente e para trás usando o dedo, e ventriloquamente, faça-o dizer: “Claro! Eu adoro (complete com o nome da sua série preferida)!”. Leve o boneco para o sofá, despeje a pipoca num balde, coloque sal a gosto e passe a tarde assistindo televisão. Na terça-feira, quando seu chefe vier lhe cobrar a falta da segunda, lhe entregue o “A” testado pelo Dr Bezerra de Menezes.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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