Big Belém

25/04/2003 by in category Contos tagged as , , , , , with 0 and 0

O sino da catedral toca como em ringue de boxe.

Azul contra vermelho. Direita contra esquerda. Certo contra errado. O bem contra o mal.

Multidão fazendo aposta. Urrando. Mas os lutadores não escutam nada. Estão usando tampões nos ouvidos.

Lutadores lutam. Socos, socos, loucos…

De repente, o lutador vermelho é golpeado na cabeça e perde os tampões. Ele começa a distinguir, entre os gritos histéricos, uma voz que diz: “Eu te amo, me desculpe!”.

Espantado, ele percebe que a declaração de amor está saindo da boca do seu oponente, junto com os socos.

O lutador vermelho começa a desviar dos golpes do lutador azul e repetir uma frase de resposta. O lutador azul não escuta.

Devido as luvas de boxe, o lutador vermelho não tem dedos para retirar os tampões dos ouvidos do lutador azul. Então, decide golpear o lutador azul na cabeça, com toda sua força.

Funciona! Os tampões do lutador azul caem e ele escuta a voz do lutador vermelho: “Eu também te amo”.

Os dois lutadores param de lutar.

Embora a multidão continue gritando do lado de fora, dentro deles é silêncio.

Vagarosamente o punho dos lutadores vão se abrindo, seus corpos vão se aproximando, e eles se abraçam.

Todas as pessoas vão lentamente se aproximando e se juntando aquele abraço, atraídos por uma força estranha. Eu, você, pessoas de outras cidades, outros países, outros planetas, outras dimensões. Todos juntos em um big-bang de marcha ré.

O sino da catedral toca como em noite de natal.

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Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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