Até a última gota

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , with 0 and 0

Fiquei órfão de mais um seriado. Estou passando pelas cinco fases dos impacientes terminais. Já neguei, briguei, deprimimimi e tentei barganhar sobrevida com os reviews do youtube, que outrora fiz tanta questão de evitar. Nada satisfaz. Nada reconforta. Nada faz a vida voltar a ter sentido. 

Quem me deixou lost dessa vez foi o seriado Mad Man, inventando a verdade. Genial desde o título. Não lembro se cheguei nele por indicação de amigo, traficante ou algoritmo netflix. Sei que viciei. Esse é o problema. Seriado é pior que cocaína, quando acaba, não tem onde comprar outra dose. 

Meu último gole de Mad Man acabou ontem e já estou delirando de saudade dos personagens. Isso me deixou pensativo. Don Draper, Peggy Olson, Neo, Morpheus, Forrest Gump, Pedro Bala, Riobaldo, Macabéa, Mônica e Cebolinha não são pessoas de verdade. Estou com saudades de quem?

Não sei! Sinto como se o Silvio Santos tivesse se aposentado. Como se o Fausto Silva tivesse realizado a última versão da Dança dos Famosos. Como se o Aírton Senna nunca mais fosse pilotar um carro de formula 1. Como se Pelé tivesse pendurado as chuteiras. Como se Didi Mocó finalmente tivesse descoberto que tem pão no céu. 

No final de Mad Man passa o comercial da coca cola. Sim, isso é um spoiler. Mas não se preocupe se ainda não assistiu tudo, você jamais irá entender o que o cu tem a ver com a coca cola, se não beber o seriado inteiro, gole a gole, até a última gota. 

Aliás, o mesmo com a vida. 

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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