Apocalipse na aula

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Eu tinha 21 anos e era fascinado por ciência, como sou até hoje. Estava de chinelos, cabelo sujo, sentado no fundão, prestes a ter minha primeira aula de filosofia. Como um fã do professor pardal foi parar num curso de comunicação, não vem ao caso, o que importa aqui é narrar o caso. A professora entrou na sala, fez chamada e desenhou uma fogueira na lousa. Depois pegou minha mão e começou a me conduzir para fora da Caverna de Platão. Pense numa pessoa em choque. Multiplica por 1000. Eleva a n+1. Era eu tendo a experiencia mais alucinógena da minha vida. “Pro.fe.sso.ra!!! Ca-la-bo-ca! Apaga essa fogueira! E=mc2. Dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço. Aguá vira vapor a 100 graus”. Eu dizia, eu berrava, eu implorava, mas ela não me escutava. Ela havia optado pela cicuta. Por fim, sem usar nenhuma tecnologia, nenhuma química, nenhuma física, sem sequer saber o que estava fazendo, ela fez algo que nem o Professor Pardal seria capaz de fazer: desmaterializou o universo e o teletransportou para dentro de mim. Não sobrou ninguém do lado de fora para contar a história. Nem eu.

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Espalhe a palavra!

AUTOR


Meu nome é Marcelo Ferrari. Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

        

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