Altura, largura e absurdidade

26/04/2003 by in category Crônicas tagged as , , , with 0 and 0

Cidade não tem noite, sois eletrônicos acendem com o timer e o espetáculo da escuridão, mesmo presente, fica invisível. Sempre morei na cidade. Aliás, quase sempre. Mas quase suficiente para que minhas retinas se esquecessem que são duas luas. Certa vez, arranquei a avenida paulista de dentro de mim e fui morar em um sítio. Lá, quando ficava noite, ficava noite, e tanto, que no quarto onde dormia não fazia diferença estar de olhos abertos ou fechados. Muitas vezes, acordava antes do sol, da memória, e até de mim mesmo, para ficar olhando o breu. Impressionante como o quarto encarnava no espaço com a luz do dia! Surgia a porta bege, a janela de ferro e o armário Marabraz. Quanto mais luz, maior era meu estado catatônico. —  Altuuuura!!!! Larguuuura!!!! Profundidaaaade!!!! De onde vem isso? Não estavam aqui! Tenho certeza! Será que foi o sol que trouxe? — Pensava. De repente, o galo cantava. E eu já não era o único bicho no mundo querendo acordar o mundo para o absurdo que o mundo é.

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Espalhe a palavra!

Marcelo Ferrari


Nasci ontem. Quando fiz dez anos, completei dezoito. Tenho um chinelo azul com alça vermelha que não serve para poesia. Escrevo o que a inspiração põe e a expiração tira. Não uso heterônimos, sou usado por eles. Só sei ser sendo, dançar dançando, escrever escrevendo e ferrari ferrariando. Minha literatura não é pá pum e pronto! É pá pum escreve. Pá pum lê. Pá pum edita. Pá pum relê. Pá pum reedita. Pá pum rerelê. Pá pum rereedita. Até que pá puta que pari! Nunca estarei ponto! E pronto! Me imagine tocando violão. Sempre. Ininterruptamente.

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